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“Beware those who are always reading books”.

27/05/2011

The Genius Of The Crowd

there is enough treachery, hatred violence absurdity in the average
human being to supply any given army on any given day

and the best at murder are those who preach against it
and the best at hate are those who preach love
and the best at war finally are those who preach peace

those who preach god, need god
those who preach peace do not have peace
those who preach peace do not have love

beware the preachers
beware the knowers
beware those who are always reading books
beware those who either detest poverty
or are proud of it
beware those quick to praise
for they need praise in return
beware those who are quick to censor
they are afraid of what they do not know
beware those who seek constant crowds for
they are nothing alone
beware the average man the average woman
beware their love, their love is average
seeks average

but there is genius in their hatred
there is enough genius in their hatred to kill you
to kill anybody
not wanting solitude
not understanding solitude
they will attempt to destroy anything
that differs from their own
not being able to create art
they will not understand art
they will consider their failure as creators
only as a failure of the world
not being able to love fully
they will believe your love incomplete
and then they will hate you
and their hatred will be perfect

like a shining diamond
like a knife
like a mountain
like a tiger
like hemlock

their finest art

 

Charles Bukowski

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“Tenho de fazer alguma coisa senão eu já era”.

27/05/2011

O seu próprio rosto que você vê no espelho com uma expressão de angústia insuportável tão terrível e tão desfigurado pela tristeza que você nem consegue chorar por uma coisa tão feia, tão perdida, sem nenhuma ligação com a perfeição dos velhos tempos e portanto sem nada que remeta a lágrimas ou ao que quer que seja.

Chega! Tenho de fazer alguma coisa senão eu já era.

Jack Kerouac – Big Sur

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O Homem Precisa do Homem

16/04/2011

Snout: Só chegam à noite. Mas precisamos dormir. Aqui está o problema – o homem perdeu o sono.”

E pede para Kris Kelvin ler uma passagem de Dom Quixote: “Só sei uma coisa, senhor, Quando estou dormindo, desconheço o medo, as esperanças, os trabalhos e a beatitude. Agradeço a quem inventou o sono, esta única balança que iguala um pastor a um rei; um imbecil a um sábio. Mas também tem o seu lado negativo, se parece muito com a morte.”

Snout diz a seguir: “Nunca antes, Sancho, você disse algo tão gracioso. Ciência? Tolice! Na nossa situação, o gênio e o medíocre, dois impotentes. Dizemos que pretendemos conquistar o Cosmos. Na realidade, só queremos aproximar a Terra das fronteiras dele. Não nos importam outros mundos. Queremos é um espelho. Procuramos muito um contato, mas nunca o encontraremos. Estamos na situação idiota de quem aspira a um objetivo que teme e que não necessita. O homem precisa do homem”.

Solaris, 1972, Andrei Tarkovski.

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Confissões e devaneios de um Beatnik tupiniquim.

02/02/2011

 

Decorro e decoro aquilo que me abate no cotidiano apático que os ciganos e os signos do zodíaco prevêem para o sempre da existência de meu cosmos. Porque, se meu corpo abate minha mente, não serão as palavras que dirão o contrário. O zump e o blash dos objetos que se chocam no estômago do indivíduo largado e dopado nas praças do meu Brasil me fazem sonhar. E se meu sonho é impuro, o que será puro na vida de um imundo?

Não, não há expectativa para o que está marcado nas tabulas do êxodo. E se ele – minúsculo, como a esperança pisoteada daqueles que usam identificação – pôde mover o mar, eu posso mover essa caneca que se encontra do outro lado da sala. Jogo e escolho meu destino. Não interfiro no que talvez possa ser meu decoro, meu erro, sagrado como um tolo.

Ando e as águas escorrem pelos cantos das paredes com infiltrações pesadas, condenadas.

Pare, pare, pare seu carro nas estradas do nada, do tudo, da existência pesada do burro que carrega o mundo em suas costas.

Leve, leve este peso pesado como uma bitola, leve como a aurora e triste como só a despedida pode ser.

Lave, lave meu passado e escancare as portas ao meu lado, porque que quero entrar…

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Comentário.

08/12/2010

Estou a ler “Lanterna Mágica”, livro biográfico do diretor Ingmar Bergman. Ainda estou no meio do caminho, mas, antes de terminar, já tenho de recorrer às minhas anotações para deixar fixado certa passagem que achei um tanto curiosa – em visto dos fatos ordinários dos quais me encontro.

O trecho ao qual me refiro, faz alusão à uma estória envolvendo Bach – o músico. Este, após voltar de um de seus concertos longe de sua família, recebe a notícia de que a mulher e dois dos filhos haviam falecido. Em seu diário, limita-se à: “Deus meu, faz com que eu não perca essa alegria que há em mim.”

Esse pequeno trecho que Bergman usa para fortalecer-se frente aos problemas com certa peça que dirigia, eu faço uso recorrente – principalmente – quando me dirijo à amigos cabisbaixos.

Ora, não se trata de um simples discurso ufanista retirado de um livro de auto-ajuda.

A “alegria” da qual Bergman e Bach refere-se no livro não é a mesma vista nos rostos dementes de homens ébrios. Não é a alegria obtida e usada nos momentos de gozo. É a alegria que remete à força interior. E não importa o quanto tentem toma-la do ser, ela deve se fazer presente. Sempre.

ingmar_bergman

“Eu também tenho vivido toda a minha vida com isso a que Bach se refere “a sua alegria”. Ela tem me ajudado em muitas crises e depressões, tem me sido tão fiel quanto meu coração. “

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A Fila.

27/09/2010

Aqui estou eu, parado atrás de um gordo que não faz nada a não ser a sua obrigação de cumprir o espaço vazio daquele que segue em frente. Na verdade, ele não poderia estar fazendo nada mais do que seu papel. Os passinhos minimalistas desse gordo estão me irritando. Toda jocosidade de seu corpo se move enquanto seus pés preenchem o vácuo no espaço.

Eu ando.

Ao meu lado esquerdo, enxergo a outra fila – tão triste quanto esta que me encontro. À direita, a parede – lúgubre e cinza. As pessoas da fila ao lado estão com a desorientação estampadas em suas faces, parecem que foram jogadas para dentro desse espaço. Mentira, elas sabem o porquê de estarem ali.

Eu ando.

Meu ânimo continua o mesmo. Não consigo pensar em muita coisa à não ser odiar cada mínima parte de todos que se encontrar neste lugar. Tento lembrar-me do que fiz ontem. Droga, não consigo. Sou um estranho para mim mesmo neste lugar. E enquanto a outra fila flui com certa agilidade, a minha – posso tomá-la por minha? – vai devagar.

Parando.

Parou.

Reparo agora que minhas roupas estão sujas, como deixei passar por despercebido esse meu desleixo?

Esqueço as roupas, elas não são importantes nesse momento.

Eu ando.

O gordo a minha frente obstrui a minha visão, desse modo, não consigo saber o que está acontecendo para lá. Droga.

Alguém grita na fila ao lado. Fora um homem de porte grande: uma mulher esbarrou contra ele, causando sua ira. Só um esbarrão… Tempos loucos. Ao meu entender, a mulher seguiu desatenta, enquanto seu próximo se encontrava parado, resultando na colisão. Compreensível, nesses momentos todos ficam nervosos.

Ao menos eu.

Eu ando.

O gordo, sorridente, vira-se para mim e diz que a mulher merecia apanhar para tomar mais atenção. Eu me irrito. Porém, retribuo o sorriso educadamente, mas não comento nada. Ele continua a me perturbar. Fala de seus filhos, e que é por eles que se encontra ali. Pergunto-me que tipo de vermes esse crápula trouxe ao mundo. Continua a me irritar. Fala de como a vida fora boa com sua pessoa – outrora, tivera damas vistosas e uma abundante conta bancária, agora, reduzidos à quase nada. Vejo um pequeno lampejo em seus olhos de como fora feliz, mas no momento só lhe restam as lembranças de um passado remoto, e a previsão de um fim.

Falando no fim, a fila anda.

Eu ando.

A conversa de uma pessoa só torna-se irremediavelmente irritante. Não consigo faze-lo parar de falar. Não entende meus sinais, balofo? Não!? Ah, eu poderia esmaga-lo! Poderia acertar o seu crânio até que o mesmo se torne uma massa disforme e empapada, assim, nunca mais iria me encher com estes seus assuntos frívolos.

Contenho-me e ando. Parece que minha hora está chegando, de relance, consigo ver que faltam apenas duas pessoas para a minha vez. Reflito. Será agora a grande hora? O momento que estive esperando por todo esse tempo?

Eu ando.

O gordo anda.

Pronto, minha vez. Retraio-me, contorço-me internamente, minhas entranhas não se seguram. Ah, minha voz foge! Não consigo expelir as palavras aprisionadas em meu âmago.  Olho para os lados, em vão. Os olhos daquele que me encara é mais poderoso. Olhos subjugadores estes. Seu avental branco me perturba, suas luvas causam nojo em minha pessoa. Tudo tão séptico! Tudo tão limpo! Para um ato tão vil!

Ah, droga! Tenho de cortar minhas delongas, esquecer meus dilemas. Afinal, pronuncio-me:

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Complexo de James Dean.

11/08/2010

Saia levando seu melhor repertório de cantadas encantadoras na cabeça. Um odor penetrante emanava de sua existência, cativando assim, todos pelo qual passavam por ele. Idealizado, era um cara que tinha lá seus defeitos, mas eram todos esquecidos depois de poucos minutos de contato. Com um topete onipotente, que julgavam ser capaz de tapar o sol, tamanha era a magnificência em que os fios se endireitavam na forma de uma onda.

Andava, andava. Gostava de andar. As ruas eram engraçadas. As pessoas sorriam, cumprimentavam, socializavam. Não poderiam ser as mesmas ruas que por outros era chamada de canibal, devoradora de sonhos e vontades. As esquinas dobravam e o levavam a passá-la com graça, leveza. A forma com que ele a dobrava, encurvando a cabeça para frente, com as mãos nos bolsos de trás da calça jeans, primeiro a parte superior do tronco, depois as belas pernas, era de uma beleza descomunal. Tinha um passo engraçado até. Não arrancando risadas de escárnio, mas de felicidade por estarem em presença de um ser tão belo.

Depois de alguns minutos andando, encontrava seu carro parado no lugar que deixara. Não sei ao certo qual modelo, mas posso afirmar se tratar de um esporte. Veloz, gostava de andar com o perigo como carona. Arrancava tanto barulhos ensurdecedores do asfalto, como suspiros femininos apaixonados pelas ruas. Uma orquestra urbana. O carro sedan lhe fazia o vento bater nos cabelos, e mesmo com toda a velocidade possível, nenhum fio saía do seu devido lugar. Uma escultura corriqueira.

Pois então percorria as estradas. Rasgando as entranhas do asfalto, percorrendo os caminhos mais nefastos dos cantos mais longínquos do país. Não ligava. Ninguém ousava se opor a tal pessoa. Não por medo, mas por respeito. Era de tão boa índole, que os que se opunham eram reprimidos por todos ao redor.

E seguia assim. Com a convicção de que era especial – de fato era. Os cabelos contra o vento, e a vontade de adrenalina. Só isso. Percorrer e correr todos os lados do mundo. Pois ele sacava a vida, sabia como domá-la. Sabia que o negócio era continuar no caminho, curtindo o que pintar, da maneira tradicional. Afinal, de que outra maneira, como poderíamos curtir?